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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida

«Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida» — foi o tema abordado pelo papa Francisco, na Audiência Geral de oito de maio de 2013, na continuação da apresentação do «Credo», iniciada por Bento XVI, a propósito do Ano da Fé. «Mas quem é o Espírito Santo?», começou por questionar o Papa, dizendo que a primeira afirmação que fazemos é que o Espírito Santo é «Senhor», «verdadeiramente Deus como o Pai e o Filho», «a terceira Pessoa da Santíssima Trindade». Após esta introdução, o papa Francisco desenvolveu a sua reflexão a partir da constatação de que o «Espírito Santo é a fonte inesgotável da vida de Deus em nós». E todo o ser humano tem dentro de si este desejo de «água viva». A terminar, depois de apresentar várias citações do Novo Testamento, convida-nos a ouvir, a escutar o Espírito Santo, pois «a água viva que é o Espírito Santo sacia a nossa vida, porque nos diz que somos amados por Deus como filhos».

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O tempo pascal, que com alegria estamos a viver guiados pela liturgia da Igreja, é por excelência o tempo do Espírito Santo doado «sem medida» (cf. João 3, 34) por Jesus crucificado e ressuscitado. Este tempo de graça concluir-se-á com a festa do Pentecostes, na qual a Igreja revive a efusão do Espírito sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração no Cenáculo.
Mas quem é o Espírito Santo?

terça-feira, 19 de março de 2013

Homilia do Papa Francisco na Santa Missa Inaugural do Ministério Petrino

SANTA MISSA
IMPOSIÇÃO DO PÁLIO
E ENTREGA DO ANEL DO PESCADOR
PARA O INÍCIO DO
MINISTÉRIO PETRINO
DO BISPO DE ROMA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Praça de São Pedro
Terça-feira, 19 de março de 2013
Solenidade de São José


  

Queridos irmãos e irmãs!
Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.
Saúdo, com afeto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.
Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser "custos", guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).

quinta-feira, 14 de março de 2013

Papa Francisco: perfil de um papa que lê Dostoievski e Borges, ouve muito, fala pouco e faz da pobreza um combate

De acordo com uma informação nunca confirmada nem desmentida pelo próprio, o cardeal Jorge Maria Bergoglio teria recolhido cerca de 40 votos aquando do conclave de 2005, o suficiente para bloquear a eleição de Joseph Ratzinger, antes de deixar entender que não desejava ser eleito.
Oito anos mais tarde tudo mudou: Bergoglio tornou-se o primeiro papa latino-americano e o primeiro Jesuíta. E foi com naturalidade que a sua proximidade com os pobres o fez escolher o nome de Francisco.
Nascido em 1936 em Buenos Aires, numa família modesta de imigrantes italianos cujo pai era funcionário nos caminhos de ferro, Jorge Mario cresceu na escola pública antes de iniciar os estudos de técnico químico. Mais tarde voltou-se para o sacerdócio, amadurecendo a sua vocação no laboratório onde trabalhava. Entra no noviciado da Companhia de Jesus em 1958.
Após a ordenação em 1969 os estudos conduziram-no ao Chile e à Argentina, onde faz a profissão perpétua em 1973, antes de voltar para a Argentina, primeiro como mestre de noviços e depois como responsável máximo (provincial) pelos Jesuítas no país.
Foram anos difíceis, marcados pela ditadura e pelas divisões dos Jesuítas em relação à teologia da libertação. As vocações diminuem. Seis anos mais tarde, preocupado em manter a não politização dos religiosos, deixa uma província pacificada e novas vocações.
Reitor das faculdades jesuítas de teologia e filosofia de Buenos Aires, e pároco na capital argentina desde 1980, parte para a Alemanha em 1986 para terminar a sua tese de doutoramento em Friburgo. Regressa à Argentina como pároco: em Córdoba, 700 km a oeste da capital, junto à serra, depois em Mendoza, perto da fronteira com o Chile.
Em 1992 João Paulo II nomeia-o bispo auxiliar de Buenos Aires, e em 1997 coadjutor da arquidiocese, de que toma posse no ano seguinte, na sequência da morte do cardeal Antonio Quarracino. Dias antes de falecer, o prelado traçava o retrato de Bergoglio: «homem discreto e muito eficaz, fiel à Igreja e muito próximo dos padres e dos católicos».
Asceta e austero, o novo arcebispo ignora a pomposa residência episcopal da capital argentina para viver sozinho num pequeno apartamento perto da catedral e recusa carro com condutor em detrimento do autocarro e do metro.
Apesar da saúde frágil – extraíram-lhe parte do pulmão direito aos 20 anos – leva uma vida ascética e levanta-se às 4h30 da manhã para um dia de trabalho que começa sempre pela demorada leitura de uma imprensa a quem não deu mais que uma entrevista. O novo papa é conhecido por falar pouco mas ouvir muito.
Grande leitor, sobretudo de romances russos, com Dostoievsky à cabeça, e o seu compatriota Borges, aprecia também ópera e é um fervoroso adepto do San Lorenzo, um dos grandes clubes da capital argentina, fundado em 1908 por um padre.
Dos seus anos de pároco em Buenos Aires e na montanha guardou um forte sentido pastoral. Não desdenha confessar regularmente na sua catedral e faz tudo para estar próximo dos seus padres, para quem abriu uma linha telefónica direta. Não é raro vê-lo tomar uma sandes ao pequeno-almoço num restaurante com um dos seus sacerdotes.
Em 2009 não hesitou ir morar num bairro de barracas, em casa de um dos seus padres, então ameaçado de morte pelos traficantes de droga.
Em 2001 foi criado cardeal por João Paulo II. No mesmo ano a sua humildade impressionou os participantes no sínodo sobre o papel do bispo, em que foi relator adjunto, em substituição do cardeal Egan, arcebispo de Nova Iorque, chamado à cidade por causa dos atentados de 11 de setembro.
Tendo feito da pobreza um dos seus combates, este crítico aceso do neoliberalismo e da globalização tornou-se uma autoridade moral incontestável na Argentina e no exterior. Ao ponto de ser hoje, num país onde a oposição política é quase inexistente, a única verdadeira força a opor-se ao regime de Kirchner, de que não cessa de denunciar o autoritarismo.
Em 2005 a imprensa aliada de Kirchner acusou o padre Bergoglio, provincial dos Jesuítas durante a ditadura, de ter denunciado dois dos seus religiosos, que foram presos e torturados. Outros testemunhos, pelo contrário, lembram as energias que despendeu para conseguir a sua libertação.

Nicolas Senèze, In La Croix
 Trad.: rjm 

Novo papa - Francisco (biografia breve)

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Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, jesuíta, foi até agora arcebispo de Buenos Aires; consta-se que no último conclave terá sido o mais votado depois de Ratzinger (Bento XVI).
O 266.º papa nasceu em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936. Licenciou-se como técnico químico e mais tarde entrou no seminário.
A 11 de março de 1958 entrou no noviciado da Companhia de Jesus (Jesuítas). Estudou no Chile e em 1963, de regresso à capital argentina, obteve a licenciatura em Filosofia.
De 1964 a 1966 foi professor de literatura e psicologia.
Entre 1967 e 1970 estudou e concluiu o curso de teologia.
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Foi ordenado padre a 13 de dezembro de 1969, a poucos dias de fazer 33 anos.
A 22 de abril de 1973 fez a profissão definitiva junto dos Jesuítas.
Foi mestre de noviços, professor na Faculdade de Teologia, consultor provincial e reitor de colégio.
A 31 de julho de 1973 foi eleito responsável máximo (provincial) da Companhia de Jesus na Argentina, cargo que desempenhou durante seis anos.
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De 1980 a 1986 foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de S. José, em S. Miguel.
Em março de 1986 foi para a Alemanha para terminar o doutoramento.
A 20 de maio de 1992 João Paulo II nomeou-o bispo auxiliar de Buenos Aires. Recebeu a ordenação episcopal a 27 de junho na catedral local.
Foi nomeado arcebispo coadjutor de Buenos Aires a 3 de junho de 1997. A 28 de fevereiro de 1998 sucede na arquidiocese ao cardeal Quarracino.
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É autor dos livros "Meditações para religiosos" (1982), "Reflexões sobre a vida apostólica" (1986) e "Reflexões de esperança" (1992).
É o Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes na Argentina que não podem contar com um Ordinário do seu rito.
É Grande Chanceler da Universidade Católica Argentina.
Foi relator geral adjunto ao Sínodo dos Bispos de 2001, no Vaticano.
De novembro de 2005 a novembro de 2011 foipresidente da Conferência Episcopal Argentina.
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Foi criado cardeal por João Paulo II no consistório de 21 de fevereiro de 2001.
É membro das seguintes congregações da Cúria Romana: Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos; Clero; Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.
É membro do Pontifício Conselho da Família e da Pontifícia Comissão para a América Latina. 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 13.03.13

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A última audiência geral de Bento XVI: espiritualidade e missão

Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio!
Distintas autoridades!
Queridos irmãos e irmãs!
Agradeço-vos terem vindo em tão grande número a esta minha última audiência geral. Obrigado de coração! Estou realmente tocado! E vejo a Igreja viva! E penso que devemos também dizer um obrigado ao Criador pelo belo tempo que nos dá, mesmo agora no inverno.
(...) Sinto no meu coração dever sobretudo agradecer a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo.
Neste momento o meu espírito alarga-se e abraça toda a Igreja espalhada pelo mundo; e dou graças a Deus pelas "notícias" que nestes anos do ministério petrino pude receber sobre a fé no Senhor Jesus Cristo, e da caridade que circula realmente no corpo da Igreja e a faz viver no amor, e da esperança que nos abre e orienta para a vida em plenitude, em direção à pátria do Céu.
Sinto trazer todos na oração, num presente que é o de Deus, onde recolho cada encontro, cada viagem, cada visita pastoral. Tudo e todos recolho na oração para os confiar ao Senhor: para que tenhamos plena consciência da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual, e para que nos possamos comportar de maneira digna dEle e do Seu amor, frutificando em toda a boa obra (cf. Colossenses 10,9-10).
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Neste momento há em mim uma grande confiança porque sei, sabemos todos, que a Palavra da verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, dá fruto onde a comunidade de crentes o escuta e acolhe a graça de Deus na verdade e na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Atelier sobre Oração

























Grupos de trabalho sobre a Oração

Desejar, desejar desesperadamente
desejar até à dor e à angústia
até ao grande vazio amargo
desejar que seja de outro jeito
desejar o fim das crueldades
das loucuras, da estupidez, do abjecto,
desejar a satisfação, a luz, a ternura
ter muita fome, ter muita sede
do mundo diferente
e de si-mesmo diferente.
                                      Maurice Bellet

Todos os mestres de oração, embora apresentem diversas definições do que é orar, coincidem num mesmo ponto: para que haja oração tem de haver uma mútua relação de amor entre Deus e o homem. Tem de haver uma relação pessoal e íntima em que se busque a comunicação (comum união) que nasce do amor de Deus e a Deus. 
A oração é autêntica na medida em que haja amor. Por isso se se quer rezar verdadeiramente a única preocupação deve ser a de amar – a Deus e aos outros. 
Seria, portanto, um erro dar uma atenção exclusiva às técnicas, às formas, às diferentes modalidades e passar ao lado do amor.

No entanto… vamos organizar um dia, uma tarde com atelieres de oração… 
Para os que não sabem rezar, para os que não rezam, para os que desejam entrar em comunhão com o Senhor (pela fé) apresentamos esta iniciativa. Venham fazer esta experiência.

Objectivos:
- Melhorar a minha oração;
- Aprender a rezar e experimentar a oração em comunidade;
- Aprender a fazer silêncio para melhor escutar o que Deus l me quer dizer;
- Dar a conhecer, de forma experiencial, diferentes tipos de oração.

Atelieres:
     1. Celebrar a Eucaristia e viver eucaristicamente
     2. A oração litúrgica – laudes e vésperas
     3. Oração pessoal – baseada na Sagrada Escritura (meditação e contemplação)
     4.  Exame de consciência – exame para tomar consciência
     5.  Oração de louvor e adoração
     6.  Oração do terço
     7.   Oração da manhã e oração da noite

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Retiro para casais

A Equipa da Pastoral Familiar do Arciprestado de Vila Nova de Famalicão está a organizar um RETIRO PARA CASAIS. Este será seguramente uma oportunidade de aprofundamento da espiritualidade do casal e consequentemente da família. 
O retiro começa no dia 8 de Março, sexta-feira, com o jantar às 20h, no Centro Apostólico do Sameiro e terminará no dia 10, domingo, à tarde. Para orientar o retiro contamos com a presença do Cónego Vítor Novais, reitor do Seminário Conciliar da Arquidiocese de Braga.
Mais informamos que as instalações e condições são muito boas e têm por custos os seguintes preços: dormida em quarto duplo 36 euros, e refeição 10 euros (com bebidas) o que perfaz um total de 152€ por casal. Contudo, que ninguém deixe de participar por questões económicas. Estamos dispostos a ajudar quem precisar.Para o efeito contactem a equipa arciprestal através do email.
Deixamos aqui também a ficha de inscrição, a qual poderá chegar por email familia.arciprestado@gmail.com ou pessoalmente, à Equipa da Pastoral Familiar Arciprestal, até ao dia 1 de Março (semana anterior à do retiro). Há limite de inscrições.
Naturalmente que o contacto pessoal é sempre mais "eficaz" do que o anúncio para todos. 
Se gostarias de ter uma experiência deste género, pois contacta a Equipa da Pastoral Familiar Arciprestal para o email acima referido.
A Equipa de Pastoral Familiar do Arciprestado de Vila Nova de Famalicão

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Carta a Diogneto

“Jóia da antiguidade cristã”, “pérola da apologética do século II”, a carta a Diogneto, de autor anónimo, é um precioso fragmento da primitiva experiência cristã e do esforço de diálogo da Igreja com a cultura circunstante. Escrita provavelmente nos finais do século II, nela se encontram autênticas parcelas de ouro puro da sabedoria evangélica que conferem a este texto uma actualidade singular.

V.1 Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes.  
2 Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular.  
3 Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana.  
4 Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social.
5 Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira. 
6 Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os neonatos. 
7 Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito.  
8 Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne.  
9 Moram na terra e são regidos pelo céu.  
10 Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas.
11 Amam todos e por todos são perseguidos.
12 Não são reconhecidos, mas são condenados à morte; são condenados à morte e ganham a vida.
13 São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam.
14 São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados.
15 Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras.
16 Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida.
17 São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos,
e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio.

VI. 1 Numa palavra, o que a alma é no corpo, isso são os cristãos no mundo.
2 A alma está em todos os membros do corpo
e os cristãos em todas as cidades do mundo.
3 A alma habita no corpo, não é, contudo, do corpo;
também os cristãos, se habitam no mundo, não são do mundo.
4 A alma invisível vela no corpo visível;
Também os cristãos sabe-se que estão neste mundo, mas a sua religião permanece invisível.
5 A carne odeia a alma, e, apesar de não a ter ofendido em nada, faz-lhe a guerra, só porque se lhe opõe a que se entregue aos prazeres; da mesma forma, o mundo odeia os cristãos que não lhe fazem nenhum mal, porque se opõem aos seus prazeres.
6 A alma ama a carne, que a odeia, e os seus membros;
Também os cristãos amam os que os odeiam.
7 A alma está encerrada no corpo, é todavia ela que sustém o corpo.
Também os cristãos se encontram retidos no mundo como em cárcere, mas são eles que sustêm o mundo.
8 A alma imortal habita numa tenta mortal;
Também os cristãos habitam em tendas mortais, esperando a incorrupção nos céus.
9 Provada pela fome e pela sede, a alma vai-se melhorando; também os cristãos, fustigados dia-a-dia, mais se vão multiplicando.
10 Deus pô-los numa tal situação, que lhes não é permitido evadir-se.

VII.1 Não foi, pois, como dizia, uma invenção terrena esta que lhes foi transmitida, nem, deste modo, professam guardar com tal cuidado uma ideia mortal, nem é a administração de mistérios humanos que lhes é confiada.
2 Mas o próprio, verdadeiramente Omnipotente, o Criador de todas as coisas, o Deus invisível, ele próprio enviando do alto dos céus a Verdade, o seu Verbo santo e incompreensível aos homens que inseriu nos seus corações: não, como alguém poderia imaginar, que tenha enviado aos homens algum subordinado, anjo ou arconte, ou algum dos que governam as coisas terrenas, ou daqueles a quem foram confiadas as administrações dos céus, mas o próprio Artífice e Demiurgo de todas as coisas, por quem fundou os céus, encerrou os mares nos seus próprios limites; cujos mistérios todos os elementos guardam fielmente; da parte do qual o sol recebeu as medidas a observar no seu curso quotidiano; ao qual a Lua obedece, quando lhe ordena que brilhe durante a noite; aoqual obedecem os astros que acompanham o curso da Lua; Por ele todas as coisas foram ordenadas, delimitadas e submetidas: os céus e o que há nos céus; a terra e as coisas que há na terra; o mar e tudo o que há no mar; o fogo, o ar e os abismos; as coisas que há nas alturas e nas profundezas e no espaço intermédio: foi Ele que Deus lhes enviou. 
3 Acaso, como algum dos homens pensaria, na tirania, no temor e no pavor?  
4 De modo nenhum, mas enviou-o na clemência e na doçura, como um Rei que enviou o Filho Rei, enviou-o como Deus. Como Homem enviou-o aos homens: enviou-o para salvar, pela persuasão e não pela força. Efectivamente, a violência não se ajusta a Deus.  
5 Enviou-o como quem chama, não como quem persegue; enviou-o como quem ama, não como quem condena.  
6 Efectivamente, enviá-lo-á para julgar. E quem suportará a Sua manifestação?
7 (Não vês) que são lançados às feras, para que neguem o Senhor, e não se deixam vencer? 8 Não vês que quanto mais perseguidos são, mais numerosos se tornam? 
9 Estas coisas não me parece que sejam obras do homem: elas são força de Deus, elas são manifestações da Sua presença.
Anónimo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A ALAVANCA ECLESIAL - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo



Homilia na eucaristia de Acção de Graças pelas bodas de prata episcopais.

Exmo. e Rev. meu antecessor, Senhor D. Eurico Dias Nogueira,
Estimados irmãos no Episcopado,
Senhor Deão do Cabido e restantes Capitulares,
Caros Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, Diáconos e Seminaristas,
Respeitosas autoridades civis, académicas e militares,
Irmãos e Irmãs na fé em Cristo Jesus.

1. Uma herança
Há 25 anos, durante a procissão de entrada para a minha ordenação Episcopal na Cripta do Sameiro, o coro entoava: “Nós somos as pedras vivas do Templo do Senhor!” Passado este tempo, a pergunta emerge: será que os 50 anos do promissor Concilio Vaticano II já produziram o efeito pastoral desejado nestas pedras vivas, que são a Igreja?
O Papa Paulo VI, na homilia de encerramento, reconhecia que este era um projecto “ideal, mas não irreal”[1], daquele Concílio que foi considerado como sendo o maior na participação, o mais rico nas temáticas abordadas e o mais oportuno nas realidades sociais abordadas . E no seu jubileu, o Papa Bento XVI promulga um Ano da Fé para redescobrirmos este tesouro teológico, espiritual e eclesial.[2]
De facto, foi esta nova proposta conciliar que a maioria de nós herdou e fomos incumbidos de concretizar! Aliás, o mesmo desejo de novidade encontrámo-lo nas palavras do profeta Isaías na primeira leitura: “Ergue-te, Jerusalém, e desponta a tua luz sobre a escuridão que envolve a Terra!”
E como referi na Mensagem de Ano Novo, continuo a repetir: é proibido desistir![3] Daí que, neste dia em celebro as minhas bodas de prata episcopais, renove três pontos vitais na pastoral: a caridade, a nova-evangelização e a unidade.

2. Um método
S. Paulo na segunda leitura apresenta-nos o método: a alavanca da caridade. Dizem os dicionários que a alavanca é um objecto que oferece a capacidade de mover grandes cargas com pequenas forças. Com o evento do Átrio dos Gentios, no diálogo com os não-crentes (gentios), confirmamos que a nossa fé até pode transportar montanhas, mas se não estiver alicerçada na caridade, ela desemboca: ou num ateísmo secular ou num fundamentalismo religioso.[4]
Por isso, a alavanca da caridade assume-se como o método mais seguro e viável para fazer erguer a Igreja, qual nova Jerusalém, graças às inúmeras, pequenas e diversificadas forças pentecostais que geram a comunhão na pluralidade: entre sacerdotes e leigos e entre movimentos e estruturas eclesiais ou civis, como sustém n.º 32 da Lumen Gentium.

3. Um desafio
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, diz-nos um célebre poeta lusitano. E os novos tempos exigem-nos uma nova vontade, um novo ardor, uma pastoral repensada e uma nova-evangelização. E porquê? Porque “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, (…) são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.”[5]
À margem das discussões conceptuais, o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da “Nova Evangelização”, Card. Rino Fisichella, define-a como “um meio através do qual o Evangelho de sempre é agora anunciado com novo entusiasmo, novas linguagens compreensíveis numa condição cultural diferente e novas metodologias capazes de transmitir o seu sentido profundo que permanece inalterado.”[6]
A liturgia, a caridade, o ecumenismo, a imigração, a catequese de adultos, a cultura e a comunicação social apresentam-se agora como lugares primordiais para esta nova-evangelização. Por coincidência, a partir de hoje inaugura-se o serviço de transmissão diária da eucaristia via internet no site da arquidiocese, para que as pessoas de mobilidade reduzida não estejam inibidas de participar virtualmente nas celebrações da sua orgulhosa Sé Catedral.
Na verdade, e no dizer do Beato João Paulo II, queremos uma Igreja que esteja no mundo, que desfrute das coisas boas do mundo, mas que não seja mundana!

4. Uma condição
 No meio destes desafios, creio que há uma condição imprescindível: “uma sinfonia (sintonia) pastoral, que execute na realidade a bela harmonia das três notas do Deus Uni-Trino”[7], ou seja, a unidade.
A longa oração de Jesus no evangelho de hoje, como síntese da sua missão sacerdotal, assim o confirma: “para que todos sejam um”. A unidade não significa uniformidade ou unicidade, pelo contrário, é a arte do diálogo na diferença. E se Jesus era um só com Deus-Pai, a unidade acaba por ser “o modelo da acção na e pela Igreja”[8].
Como sabem, foi com este intuito que, há 25 anos atrás, escolhi como lema episcopal esta passagem evangélica e me deixei interpelar pela simbologia da romã.
Uma unidade que se traduz numa “unidade geracional com a tradição secular que nos precede, numa unidade espiritual com Cristo, sacerdote eterno, numa unidade pastoral com a Igreja Universal, numa unidade cultural com o mundo que nos circunda, numa unidade fraternal com os leigos, numa unidade integral connosco próprios e, acima de tudo, numa unidade sacerdotal com os membros do presbitério.”[9]
E com razão escreve um dos meus ex-bispos auxiliares: “onde a caridade irradia, aí aflora a beleza que salva, aí se louva o Pai celeste, aí cresce a unidade dos homens.”[10]
A propósito, o gesto do Papa Bento XVI para com o seu desleal mordomo neste Natal comprova que a humildade, o perdão e a caridade abrem mais portas que a própria autoridade. Por conseguinte, só com a alavanca desta caridade poderemos erguer as pedras vivas do templo da unidade e mostrar a diferença da Igreja Católica em relação a outras instituições, tal como o comprova: a “Carta de Louvor” atribuída pelo Conselho de Ministros à Obra Católica Portuguesa das Migrações, e o “Prémio Direitos Humanos” atribuído pela Assembleia da República à Cáritas Portuguesa.
Sem esta alavanca, o Concílio Vaticano II continuará a ser uma bela teoria que prescreveu na história da Igreja.

5. Um agradecimento
Para terminar, no concerto de encerramento do evento Guimarães, Capital Europeia da Cultura, fiquei surpreso ao reparar nas lágrimas inesperadas dos músicos da orquestra perante o aplauso da plateia. A orquestra extinguiu-se ali e as lágrimas daqueles jovens músicos continham certamente um misto de orgulho pelo sucesso alcançado e de incerteza laboral quanto ao futuro.
É verdade que somos vítimas de uma factura económico-social que nos tirou qualidade e dignidade à nossa existência. Mas, como Igreja, resta-nos continuar a apresentar ao mundo político a solução que o Papa Bento XVI apresentou para esta crise, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: “promover a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico”[11], pois só assim as lágrimas da incerteza, da angústia e do desânimo cessarão.
Daí que neste dia também não poderia esquecer-me e pedir que não passem despercebidas as lágrimas de dor de tantos nossos irmãos. Por outro lado, diz-nos S. Gregório Magno que, embora haja inúmeras formas de chorar, “as lágrimas são uma fala estimada” e um mapa pleno de significação.
Por isso, neste dia festivo para a Arquidiocese, as lágrimas que agora derramo no meu interior comunicam a minha profunda gratidão: ao meu professor no episcopado, Sr. D. Eurico Dias Nogueira, e a todos os amigos no episcopado com quem temos procurado promover a vida humana neste Portugal que amamos; aos actuais e ex-Bispos Auxiliares, com os quais repensamos a pastoral arquidiocesana; ao meu presbitério, com quem peleio pela edificação do Reino de Deus; aos jovens seminaristas, em quem coloco o futuro desta Igreja Arquidiocesana; aos religiosos e consagrados, que enriquecem a nossa Igreja com os seus carismas; aos leigos, que no anonimato executam a passagem bíblica do “sal da terra e luz mundo”; aos meus condiscípulos de curso, com quem partilhei o esplendor da juventude; às autoridades civis, com as quais tenho procurado edificar uma sociedade local mais justa e solidária; aos não-crentes, cujas perguntas e críticas fazem repensar e crescer a nossa Igreja; à minha família, a quem devo tudo aquilo que sou; e, por último, agradeço ao culpado disto tudo: Jesus, o arquitecto da unidade!

Por tudo isto,
creio no Deus Criador, em Jesus Salvador e no Espírito Santificador,
bem como na Igreja Católica,
e em todos os homens e mulheres de boa-vontade.

+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013, Sé Catedral de Braga.





[1] cf. Paulo VI, Carta Apostólica In Spiritu Sancto.
[2] cf. Bento XVI, Porta Fidei, 5
[3] Cf. D. Jorge Ortiga. Poribido desistir. Mensagem de Ano Novo-2013.
[4] cf. Bento XVI, Deus Caritas est, 16.
[5] Gaudim et Spes, 1.
[6] Rino Fisichella, A Nova Evangelização, 31.
[7] D. Jorge Ortiga, O acorde de Deus. Homilia na peregrinação arquidiocesana à Senhora do Sameiro 2012.
[8] D. Jorge Ortiga, Saudação ao Povo de Deus na ordenação como Bispo Auxiliar de Braga, in Acção Católica, Janeiro-1988, 69-70.
[9] D. Jorge Ortiga, As 7 maravilhas do sacerdócio. Homilia na Missa Crismal de Quinta-Feira Santa 2012.
[10] António Marto, O cristianismo fonte de uma cultura de beleza, in AA.VV., O evangelho da beleza, 27.
[11] Cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz – 2013, 4.