Mostrar mensagens com a etiqueta Jornada da Família. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornada da Família. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Matrimónio e Educação‏ - VIII Jornada da Família EDUCAR PARA QUÊ?

Reflectir em poucas linhas sobre duas das realidades mais complexas e mais importantes para a pessoa humana, para além de poder ser uma tarefa quase impossível de realizar, pode ainda levar-nos a correr o risco de dizer coisas perfeitamente banais e simplistas.
E contudo, torna-se um desafio interessante, pois aquilo que formos capazes de pensar e dizer a este nível terá obrigatoriamente muito a ver com a maneira como encaramos a vida.
É verdade que, com frequência, ouvimos dizer que o matrimónio e a educação estão a passar por uma profunda crise. Os dados estatísticos no que diz respeito ao divórcio e a realidade que todos vamos ouvindo, aqui e acolá, acerca das dificuldades da vida em casal parecem comprovar, sem margem para dúvidas, esta crise. Também no que diz respeito à educação o panorama não parece ser melhor, sendo frequente encontrar posições de desencanto e mesmo desânimo em muitos dos seus protagonistas.
Apesar desta realidade eu não quero ser pessimista, nem tenho como objectivo fazer aqui a análise dessa situação. O espaço que aqui disponho não me permite fazer isso, e, por outro lado, prefiro fazer uma afirmação inequívoca da importância do matrimónio e da educação para a construção da pessoa (de cada pessoa) e, por conseguinte, para a humanização deste mundo. A relação entre estas duas realidades (matrimónio e educação) penso que ficará clara a partir desta perspectiva.
Na verdade, ao olhar para a condição humana, somos capazes de perceber como cada um de nós é um ser ‘acolhido’. Basta para isso fazermos a simples constatação que nenhum de nós se deu a vida a si mesmo. Todos a recebemos como um dom ‘dado’ por alguém. Quando tomamos consciência da nossa própria existência, já estamos nela. E se isto é evidente do ponto de vista meramente biológico, igualmente evidente me parece em todos os outros níveis específicos da condição humana.
Se não vejamos: Como é que aprendemos a falar? Como alcançamos capacidade de entender o mundo e a existência? Como é que aprendemos a amar? Como somos capazes de desenvolver a nossa capacidade de reflectir? Como é que aprendemos a simbolizar? Como somos capazes de dizer, intuir e experimentar o transcendente? Bastam estas perguntas para percebermos que sem os outros jamais chegaríamos a desenvolver estas características tão específicas da nossa condição.
Mas podemos ainda ir mais longe, e afirmar que a própria identidade pessoal, que é aquilo que nos individualiza e nos torna únicos e irrepetíveis, não é uma mera conquista, mas é também uma experiência de ser recebido e acolhido. Como é que eu descubro quem sou? Como é que eu descubro o meu nome? Não é porque os outros me tratam como um ‘eu’ e me chamam assim, que eu tenho a possibilidade de ir crescendo e ganhando a consciência de ser esse eu? Claro que não devo isso só aos outros, claro que a minha capacidade de interacção e de entrega é fundamental, mas a verdade é que sem os outros eu não chegava a ser o que sou.
Até mesmo a minha condição de ser pai me diz isso. Só acedi a essa experiência por causa dos meus filhos. Ser pai do André e do Filipe é algo que é constitutivo da minha identidade pessoal, ou seja preciso deles para construir a minha identidade pessoal, por isso, eles são parte constitutiva dela.
A partir destas pequenas ideias, que como é obvio precisavam de mais espaço para serem desenvolvidas, posso agora afirmar, sem correr um grande risco de ser mal entendido, que o ser humano só se vai humanizando à medida que vai vivendo a relação com os outros.
Claro que quando nascemos já possuímos as características genéticas e biológicas específicas da condição humana, mas todos estamos de acordo que ser homem e mulher é muitíssimo mais do que simples biologia ou genética. As linguagens que utilizamos, a cultura que construímos e da qual também fazemos parte, a experiência religiosa que vivemos, o amor que damos e recebemos, os projectos que vamos sendo capazes de realizar, quer ao nível individual como social, tudo isso, que é também característico da nossa realidade (e para mim o mais característico), exige a existência dos outros.
E afinal o que é que isto tudo tem a ver com o matrimónio e a educação? Do meu ponto de vista e a partir da minha experiência, atrevo-me a afirmar que tudo.
É que ser pessoa humana é algo que requer obrigatoriamente a presença e o amor dos outros. É que a educação tem por objectivo principal a formação integral da pessoa humana. É que o matrimónio é aquele tempo e espaço, aquela relação, onde duas pessoas se vão construindo uma à outra, sendo capazes de dar origem a algo de novo, o nós (que não elimina a identidade pessoal de cada um, mas pelo contrário a alimenta) que muitas vezes se concretiza num alguém totalmente novo e irrepetível (os filhos).
Somos pessoas porque alguém antes de nós teve a capacidade de viver uma relação de personalização e amadurecimento capaz de gerar vida nova (não ignoro que muitas vidas são, infelizmente, geradas fora deste âmbito, mas insisto na ideia de que o característico da vida humana é muito mais do que simples biologia). Somos pessoa porque fomos acolhidos numa experiência de amor que foi capaz de nos lançar nesse patamar da condição humana e cada dia é capaz de nos ir ajudando a crescer como pessoas (independentemente da idade que tenhamos, pois isto é um processo para toda a vida). Somos pessoa porque fomos sendo educados como tal, e porque continuamos a sê-lo.
Não apoiar inequivocamente o matrimónio, não apostar claramente numa educação pessoal e pessoalizadora é correr o grave risco de poder criar sociedades menos humanas.
Todos estamos empenhados em construir um mundo mais humano e mais fraterno. Mas não tenhamos dúvidas que isso só será possível se tivermos pessoas mais humanas e mais fraternas, e isso passa obrigatoriamente pela educação e pela capacidade que tivermos em viver a experiência matrimonial duma maneira verdadeira e profunda.

Juan Francisco Ambrosio
Prof. Teologia

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

VIII Jornada da Família - Reflexão do casal Manuel e Ilídia Leite


Nós, enquanto casal do conjunto de 8 casais da Pastoral Familiar de V.N. Famalicão (Stº Adrião) e Brufe, um dos casais da organização da VIII Jornada da Família, fazemos a nossa reflexão de lançamento e desafio à jornada. 
Vivemos dominados pelo discurso da crise, e temos que nos adaptar à realidade, lutando obviamente contra a adversidade.
A crise é essencialmente económica, mas há 2 realidades que estão antes dela (uma) e depois dela (outra):
 
1 – Antes da crise económica está a crise do ser humano levado para o comportamento individualista, materialista/consumista, ser funcional no mundo do trabalho, conduzindo à degradação da dignidade humana, das relações inter-pessoais e, em particular, da instituição familiar.


2 – Depois, com a crise instalada, está a realidade das consequências nefastas da mesma sobre a vida de cada um, sobre as relações inter-pessoais, a sustentabilidade das relações, o equilíbrio emocional, material e cultural das famílias.

Estamos, portanto, num ciclo vicioso: a crise do “homem” que o leva a investir no TER em prejuízo do SER, e depois o acentuar da crise quando perde o SER e o TER.

Em suma: a crise essencialmente económica que nos envolve, não resulta somente de más gestões económicas e financeiras, mas de um conjunto de factores humanos e sociais, estabelecidos sobretudo na 2ª metade do século XX.

Enquanto somos abafados pelo alarido de como contornar a crise,… como sair do jugo do FMI ou da Troika, esquecemo-nos de ir contrariando algumas das consequências da crise.
Então, com esperança e confiança nas capacidades humanas de superação das adversidades, temos que ir minimizando os estragos ou corrigir os erros que as crises vão infligindo às pessoas e às famílias.

Temos que investir no SER.

Investir no SER é uma questão cultural, educacional. Falar de educar é falar do(s) lugar(es) onde educar.

Ora a 1ª escola da vida é a FAMÍLIA.

Não é despiciendo, pelo contrário, é muito importante, em tempo de “faltas materiais”, falar daquilo que sustenta a humanidade em qualquer circunstância:
a unidade, a agregação das pessoas, a solidariedade, o bom relacionamento, a família, a educação, a espiritualidade.

E entramos, assim, na temática do “Educar para quê?”.
 
O bem-estar material é, naturalmente, importante na vida. Mas não sei se todos damos conta de que a EDUCAÇÃO é o desafio fundamental, básico, duma sociedade. Que contemple:

                - Relação afetiva na família
                - Relação solidária / O exercício do bem / O conceito ÉTICO
                - Conhecimento / Cultura
                - Beleza / O BELO / Conceito ESTÉTICO / Arte
                - Relação com a natureza / Sentido ECOLÓGICO
                ….

Repito: há que investir no SER.

E tornarmo-nos SERES-COM e SERES-PARA, o(s) outro(s), ponto de partida para todo o debate social, político, económico.

Somos confrontados, à nossa volta, sempre com alguns comentários sobre o interesse, a oportunidade, o acolhimento deste tipo de iniciativas.

O que dizemos é que é importante sairmos de casa, encontrarmo-nos, na nossa comunidade, na cidade, onde quer que seja e fazer encontro de convívio, debate, troca de experiências, falar e ouvir falar de problemas que nos cercam, e de eventuais propostas.

O nosso espaço é de matriz cristã, mas afirmamo-lo com ênfase, é um espaço aberto à pluralidade de crenças, à pluralidade de ideias sobre a família e a educação. Só assim é verdadeiramente cristão. Cristo é o Homem da diferença, no Seu tempo e no de hoje.
Diferença para o VERDADEIRAMENTE HUMANO, mas lidando com opositores.

Um comentário: Da maneira como “isto vai” não há ânimo para nada. Não pode ser.
A perda de ânimo é a perda da alma. A perda da alma é a perda do corpo. Nesta unidade CORPO–ALMA, se a componente corpórea sofre mais com a falência destes tempos, que o ânimo (alma) não deixe baixar os braços do corpo.
Por isso, vamos em frente e… venham à jornada.

Manuel Leite e Ilídia Leite