Comunidade paroquial de Santo Adrião, Vila Nova de Famalicão
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sábado, 2 de fevereiro de 2013
Dom Jorge Ortiga à VIII Jornada da Família - EDUCAR PARA QUÊ?
Comunidade paroquial de Santo Adrião, Vila Nova de Famalicão
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A ALAVANCA ECLESIAL - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo
Homilia na eucaristia de Acção de
Graças pelas bodas de prata episcopais.
Estimados irmãos no Episcopado,
Senhor Deão do Cabido e restantes
Capitulares,
Caros Sacerdotes, Religiosos e
Religiosas, Diáconos e Seminaristas,
Respeitosas autoridades civis,
académicas e militares,
Irmãos e Irmãs na fé em Cristo
Jesus.
1. Uma herança
Há 25 anos, durante a procissão de
entrada para a minha ordenação Episcopal na Cripta do Sameiro, o coro entoava:
“Nós somos as pedras vivas do Templo do Senhor!” Passado este tempo, a pergunta
emerge: será que os 50 anos do promissor Concilio Vaticano II já produziram o
efeito pastoral desejado nestas pedras vivas, que são a Igreja?
O Papa Paulo VI, na homilia de
encerramento, reconhecia que este era um projecto “ideal, mas não irreal”[1], daquele Concílio que foi
considerado como sendo o maior na participação, o mais rico nas temáticas
abordadas e o mais oportuno nas realidades sociais abordadas . E no seu
jubileu, o Papa Bento XVI promulga um Ano da Fé para redescobrirmos este
tesouro teológico, espiritual e eclesial.[2]
De facto, foi esta nova proposta
conciliar que a maioria de nós herdou e fomos incumbidos de concretizar! Aliás,
o mesmo desejo de novidade encontrámo-lo nas palavras do profeta Isaías na
primeira leitura: “Ergue-te, Jerusalém, e desponta a tua luz sobre a escuridão
que envolve a Terra!”
2. Um método
S. Paulo na segunda leitura
apresenta-nos o método: a alavanca da caridade. Dizem os dicionários que a
alavanca é um objecto que oferece a capacidade de mover grandes cargas com
pequenas forças. Com o evento do Átrio dos Gentios, no diálogo com os
não-crentes (gentios), confirmamos que a nossa fé até pode transportar
montanhas, mas se não estiver alicerçada na caridade, ela desemboca: ou num
ateísmo secular ou num fundamentalismo religioso.[4]
Por isso, a alavanca da caridade
assume-se como o método mais seguro e viável para fazer erguer a Igreja, qual
nova Jerusalém, graças às inúmeras, pequenas e diversificadas forças
pentecostais que geram a comunhão na pluralidade: entre sacerdotes e leigos e
entre movimentos e estruturas eclesiais ou civis, como sustém n.º 32 da Lumen
Gentium.
3. Um desafio
“Mudam-se os tempos, mudam-se as
vontades”, diz-nos um célebre poeta lusitano. E os novos tempos exigem-nos uma
nova vontade, um novo ardor, uma pastoral repensada e uma nova-evangelização. E
porquê? Porque “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos
homens de hoje, (…) são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as
angústias dos discípulos de Cristo.”[5]
À margem das discussões conceptuais,
o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da “Nova Evangelização”,
Card. Rino Fisichella, define-a como “um meio através do qual o Evangelho de
sempre é agora anunciado com novo entusiasmo, novas linguagens compreensíveis
numa condição cultural diferente e novas metodologias capazes de transmitir o
seu sentido profundo que permanece inalterado.”[6]
A liturgia, a caridade, o
ecumenismo, a imigração, a catequese de adultos, a cultura e a comunicação
social apresentam-se agora como lugares primordiais para esta nova-evangelização.
Por coincidência, a partir de hoje inaugura-se o serviço de transmissão diária
da eucaristia via internet no site da arquidiocese, para que as pessoas de
mobilidade reduzida não estejam inibidas de participar virtualmente nas
celebrações da sua orgulhosa Sé Catedral.
Na verdade, e no dizer do Beato João
Paulo II, queremos uma Igreja que esteja no mundo, que desfrute das coisas boas
do mundo, mas que não seja mundana!
4. Uma condição
No meio destes desafios, creio
que há uma condição imprescindível: “uma sinfonia (sintonia) pastoral, que
execute na realidade a bela harmonia das três notas do Deus Uni-Trino”[7], ou seja, a unidade.
A longa oração de Jesus no evangelho
de hoje, como síntese da sua missão sacerdotal, assim o confirma: “para que
todos sejam um”. A unidade não significa uniformidade ou unicidade, pelo
contrário, é a arte do diálogo na diferença. E se Jesus era um só com Deus-Pai,
a unidade acaba por ser “o modelo da acção na e pela Igreja”[8].
Como sabem, foi com este intuito
que, há 25 anos atrás, escolhi como lema episcopal esta passagem evangélica e
me deixei interpelar pela simbologia da romã.
Uma unidade que se traduz numa
“unidade geracional com a tradição secular que nos precede, numa unidade
espiritual com Cristo, sacerdote eterno, numa unidade pastoral com a Igreja
Universal, numa unidade cultural com o mundo que nos circunda, numa unidade
fraternal com os leigos, numa unidade integral connosco próprios e, acima de
tudo, numa unidade sacerdotal com os membros do presbitério.”[9]
E com razão escreve um dos meus
ex-bispos auxiliares: “onde a caridade irradia, aí aflora a beleza que salva,
aí se louva o Pai celeste, aí cresce a unidade dos homens.”[10]
A propósito, o gesto do Papa Bento
XVI para com o seu desleal mordomo neste Natal comprova que a humildade, o
perdão e a caridade abrem mais portas que a própria autoridade. Por
conseguinte, só com a alavanca desta caridade poderemos erguer as pedras vivas
do templo da unidade e mostrar a diferença da Igreja Católica em relação a
outras instituições, tal como o comprova: a “Carta de Louvor” atribuída pelo
Conselho de Ministros à Obra Católica Portuguesa das Migrações, e o “Prémio
Direitos Humanos” atribuído pela Assembleia da República à Cáritas Portuguesa.
Sem esta alavanca, o Concílio
Vaticano II continuará a ser uma bela teoria que prescreveu na história da
Igreja.
5. Um agradecimento
Para terminar, no concerto de
encerramento do evento Guimarães, Capital Europeia da Cultura, fiquei surpreso
ao reparar nas lágrimas inesperadas dos músicos da orquestra perante o aplauso
da plateia. A orquestra extinguiu-se ali e as lágrimas daqueles jovens músicos
continham certamente um misto de orgulho pelo sucesso alcançado e de incerteza
laboral quanto ao futuro.
É verdade que somos vítimas de uma
factura económico-social que nos tirou qualidade e dignidade à nossa
existência. Mas, como Igreja, resta-nos continuar a apresentar ao mundo
político a solução que o Papa Bento XVI apresentou para esta crise, na sua
mensagem para o Dia Mundial da Paz: “promover a vida, favorecendo a
criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e
de um novo modelo económico”[11], pois só assim as lágrimas da
incerteza, da angústia e do desânimo cessarão.
Daí que neste dia também não poderia
esquecer-me e pedir que não passem despercebidas as lágrimas de dor de tantos
nossos irmãos. Por outro lado, diz-nos S. Gregório Magno que, embora haja
inúmeras formas de chorar, “as lágrimas são uma fala estimada” e um mapa pleno
de significação.
Por isso, neste dia festivo para a
Arquidiocese, as lágrimas que agora derramo no meu interior comunicam a minha
profunda gratidão: ao meu professor no episcopado, Sr. D. Eurico Dias Nogueira,
e a todos os amigos no episcopado com quem temos procurado promover a vida humana
neste Portugal que amamos; aos actuais e ex-Bispos Auxiliares, com os quais
repensamos a pastoral arquidiocesana; ao meu presbitério, com quem peleio pela
edificação do Reino de Deus; aos jovens seminaristas, em quem coloco o futuro
desta Igreja Arquidiocesana; aos religiosos e consagrados, que enriquecem a
nossa Igreja com os seus carismas; aos leigos, que no anonimato executam a
passagem bíblica do “sal da terra e luz mundo”; aos meus condiscípulos de
curso, com quem partilhei o esplendor da juventude; às autoridades civis, com
as quais tenho procurado edificar uma sociedade local mais justa e solidária;
aos não-crentes, cujas perguntas e críticas fazem repensar e crescer a nossa
Igreja; à minha família, a quem devo tudo aquilo que sou; e, por último,
agradeço ao culpado disto tudo: Jesus, o arquitecto da unidade!
Por tudo isto,
creio no Deus Criador, em Jesus
Salvador e no Espírito Santificador,
bem como na Igreja Católica,
e em todos os homens e mulheres de
boa-vontade.
+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013, Sé Catedral de
Braga.
[7] D. Jorge
Ortiga, O acorde de Deus. Homilia na peregrinação arquidiocesana à Senhora
do Sameiro 2012.
[8] D. Jorge
Ortiga, Saudação ao Povo de Deus na ordenação como Bispo Auxiliar de Braga,
in Acção Católica, Janeiro-1988, 69-70.
[9] D. Jorge
Ortiga, As 7 maravilhas do sacerdócio. Homilia na Missa Crismal de
Quinta-Feira Santa 2012.
[10] António
Marto, O cristianismo fonte de uma cultura de beleza, in AA.VV., O
evangelho da beleza, 27.
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
CREIO EM TI! - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo
Em ano de Fé, celebrando as Bodas
de Prata Episcopais, recordo o dom da fé como dom maravilhoso a acolher
para partilhar: assumo que gostaria de o expressar visivelmente através
dum amor incondicional a Deus e ao próximo e espero ser instrumento da
Paternidade Universal de Deus que nos responsabiliza pela fraternidade
com todos.
Crer em Deus é crer em todos.
Crer é amar Deus e os outros.
Crer é esperar uma Arquidiocese unida
para que todo o mundo acredite.
1 – Creio em ti, caro presbítero,
que és rosto transparente do amor de Deus pelo Seu povo. Comove-me
ver-te partir o pão da amizade e a desatar os nós do sofrimento. Espero
ter-te sempre próximo, para anunciarmos Cristo a todos que O procuram de
coração sincero.
2 – Creio em ti, caro/a religioso/a,
que és sinal profético do Reino de Deus. Admiro-te pela delicadeza dos
teus gestos, que são uma verdadeira oração quotidiana. Espero que
continues a suscitar o espanto da fé em cada irmão que se cruza no teu
caminho e na comunidade onde vives.
3 - Creio em ti, caro/a jovem, que és a esperança do amanhã. Orgulha-me a tua procura inquieta, que antecipa o nascimento de um mundo melhor.
Espero que me emprestes a tua voz sempre que a
minha falhar. Gostaria ainda, um dia, de celebrar um encontro contigo
para te apresentar Aquele que me inspirou neste nosso projeto comum.
4 – Creio em ti, caro/a irmão/ã,
que vives uma situação de fragilidade. Inclino-me perante o teu espírito
de heroica e silenciosa coragem. Dificilmente estamos preparados para
momentos inesperados, mas a cruz, que também Cristo carregou, não tem a
última palavra sobre a vida. Espero que sintas esta minha frágil e
silenciosa presença por meio da oração, na certeza duma comunhão
permanente com as tuas debilidades.
5 – Creio em ti, caro/a irmão/ã que habitas involuntariamente o silêncio da fé.
Também para mim é um mistério este paradoxo. Sei todavia que o silêncio
não é sinónimo de ausência. A fé é dom e fidelidade. Espero, peço-te, a
fidelidade à procura sincera e, porventura, a decisão consciente de
mergulhar no mistério de Deus, mesmo quanto tudo aquilo que ouves é
silencio.
6 – Creio em ti, família expressão
do visível amor de Cristo na procura conjunta da felicidade e aberta ao
dom da vida. Sei que te alimentas e encorajas da Palavra de Deus.
Espero ver-te verdadeira “Igreja doméstica” e comprometida na Igreja de
Jesus para construirmos um mundo mais humano e unido.
7 – Olá meu/minha pequenito/a.
Creio em ti pois, juntos, temos um amigo. Jesus ofereceu a todos os
meninos/as do seu tempo muita dedicação, não deixando de apontar o
caminho da verdadeira alegria e felicidade. Espero que O queiras
conhecer para o seguir. Vamos fazer a grande família de Jesus sendo
amigo d’Ele e de todos.
Sabes, um poeta muito famoso disse uma vez que “o
sonho comanda a vida”. Nos sonhos, tudo aquilo que o teu coração deseja
torna-se realidade. Mas também podes sonhar com os olhos abertos. Basta
que tenhas um coração cheio de amor e a magia acontece. Ajuda os teus
pais a sonhar. Jesus já sonha contigo. O coração Dele é enorme e ama-te.
8 – Creio em ti, caro/a cristão/ã,
que, como eu, és discípulo/a peregrino/a de Cristo. Amo--te
profundamente e agradeço a tua presença fiel, que tanto alegra a nossa
grande família cristã. Espero que partilhes esta boa nova a todos que te
são próximos e em todos os ambientes onde estás presente.
+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013.
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Proibido desistir!
Dom Jorge Ortiga
Mensagem para o novo ano de 2013,
Cremos que por Ele todas as coisas foram feitas
Apesar das inúmeras previsões apocalípticas para
este ano, o nosso Deus preferiu continuar a dar-nos a oportunidade de
desfrutar deste belo mundo, que Ele próprio preparou outrora para nós,
pois, continuando a caminhar nos conteúdos do Credo, acreditamos que
“por Ele todas as coisas foram feitas”.
Neste sentido, considero que qualquer mensagem de
ano novo deve despertar uma razão válida para continuarmos a viver com
alegria neste status social tão sombrio. A propósito, a prestigiada
revista norte-americana Time elegeu como figura do ano o Presidente
Barack Obama. Contudo, eu preferia eleger como figura do ano um conjunto
de pessoas que, no meio de adversidades físicas e económicas, mesmo
assim conseguiram ser um factor de enorme orgulho para o país: os
atletas portugueses dos Jogos Paralímpicos de Londres, alguns deles da
nossa Arquidiocese, e a quem saúdo pessoalmente!
Na mensagem do ano passado, tinha ressaltado
aqueles seis pescadores das Caxinas, que sobreviveram durante três dias
em alto mar. Do mesmo modo, estes atletas também “sobrevivem” a
dificuldades quotidianas para que, através do desporto, revelem a
igualdade de oportunidades, acentuem o combate à discriminação e
cimentem a valorização das pessoas com deficiência.
Com o evento do Átrio dos Gentios, percebemos que
afinal a vida, para crentes e não-crentes, tem valor em qualquer
circunstância existencial, mesmo quando ameaçada pela crise. Na sua
mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI surpreende-nos ao
afirmar que aí se encontra precisamente a solução da actual crise: “para
sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das
desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que
promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria
crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico.”
A vida humana é um tráfico de encontros. E por
isso, peço a Deus que nos dê a sabedoria da paz para esses encontros.
Aquela paz interior que promove a vida, que dissipa a lógica da
violência, que dissemina a corrupção, que transforma os olhares
pessimistas, que rompe com as muralhas das ditaduras e que sufoca as
tonalidades da indiferença. Aliás, à semelhança de Maria, a Rainha da
Paz, os atletas paralímpicos são um testemunho actual que nos faz
acreditar que realmente “nada é impossível”.
O mundo não se constrói apenas com grandes
presidentes, grandes descobertas científicas ou grandes discursos
musculados, mas também com pequenos e silenciosos gestos de paz que
tornam possível a sociabilidade humana e garantem a sobrevivência do
próprio planeta. E o gesto do Papa Bento XVI para com o seu desleal
mordomo neste Natal comprova que a humildade abre mais portas que a
autoridade.
Para terminar, o “ano internacional da cooperação
para a água”, que celebra-se durante este ano de 2013,
responsabiliza-nos para a ecologia. A fé, traduzida no amor ao próximo,
também se manifesta no cuidar deste “chão” que pisamos, para que as
gerações futuras desfrutem dele com qualidade, antes que sejamos nós os
autores de um cenário apocalíptico (catástrofe) sobre o mundo.
Porque o Deus da Vida acredita e não desiste de
nós, nós acreditamos que vale mesmo a pena viver: é esta a razão
primordial! Por isso, um profundo obrigado aos atletas paralímpicos por,
neste tempo de crise, nos terem ensinado que desistir é uma acção
proibida!
27 de Dezembro de 2012
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