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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CREIO EM TI! - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo

Em ano de Fé, celebrando as Bodas de Prata Episcopais, recordo o dom da fé como dom maravilhoso a acolher para partilhar: assumo que gostaria de o expressar visivelmente através dum amor incondicional a Deus e ao próximo e espero ser instrumento da Paternidade Universal de Deus que nos responsabiliza pela fraternidade com todos.
               
Crer em Deus é crer em todos.
Crer é amar Deus e os outros.
Crer é esperar uma Arquidiocese unida
para que todo o mundo acredite.

1 – Creio em ti, caro presbítero, que és rosto transparente do amor de Deus pelo Seu povo. Comove-me ver-te partir o pão da amizade e a desatar os nós do sofrimento. Espero ter-te sempre próximo, para anunciarmos Cristo a todos que O procuram de coração sincero.

2 – Creio em ti, caro/a religioso/a, que és sinal profético do Reino de Deus. Admiro-te pela delicadeza dos teus gestos, que são uma verdadeira oração quotidiana. Espero que continues a suscitar o espanto da fé em cada irmão que se cruza no teu caminho e na comunidade onde vives.

3 - Creio em ti, caro/a jovem, que és a esperança do amanhã. Orgulha-me a tua procura inquieta, que antecipa o nascimento de um mundo melhor.
Espero que me emprestes a tua voz sempre que a minha falhar. Gostaria ainda, um dia, de celebrar um encontro contigo para te apresentar Aquele que me inspirou neste nosso projeto comum.

4 – Creio em ti, caro/a irmão/ã, que vives uma situação de fragilidade. Inclino-me perante o teu espírito de heroica e silenciosa coragem. Dificilmente estamos preparados para momentos inesperados, mas a cruz, que também Cristo carregou, não tem a última palavra sobre a vida. Espero que sintas esta minha frágil e silenciosa presença por meio da oração, na certeza duma comunhão permanente com as tuas debilidades.

5 – Creio em ti, caro/a irmão/ã que habitas involuntariamente o silêncio da fé. Também para mim é um mistério este paradoxo. Sei todavia que o silêncio não é sinónimo de ausência. A fé é dom e fidelidade. Espero, peço-te, a fidelidade à procura sincera e, porventura, a decisão consciente de mergulhar no mistério de Deus, mesmo quanto tudo aquilo que ouves é silencio.

6 – Creio em ti, família expressão do visível amor de Cristo na procura conjunta da felicidade e aberta ao dom da vida. Sei que te alimentas e encorajas da Palavra de Deus. Espero ver-te verdadeira “Igreja doméstica” e comprometida na Igreja de Jesus para construirmos um mundo mais humano e unido.

7 – Olá meu/minha pequenito/a. Creio em ti pois, juntos, temos um amigo. Jesus ofereceu a todos os meninos/as do seu tempo muita dedicação, não deixando de apontar o caminho da verdadeira alegria e felicidade. Espero que O queiras conhecer para o seguir. Vamos fazer a grande família de Jesus sendo amigo d’Ele e de todos.
Sabes, um poeta muito famoso disse uma vez que “o sonho comanda a vida”. Nos sonhos, tudo aquilo que o teu coração deseja torna-se realidade. Mas também podes sonhar com os olhos abertos. Basta que tenhas um coração cheio de amor e a magia acontece. Ajuda os teus pais a sonhar. Jesus já sonha contigo. O coração Dele é enorme e ama-te.

8 – Creio em ti, caro/a cristão/ã, que, como eu, és discípulo/a peregrino/a de Cristo. Amo--te profundamente e agradeço a tua presença fiel, que tanto alegra a nossa grande família cristã. Espero que partilhes esta boa nova a todos que te são próximos e em todos os ambientes onde estás presente.

+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Proibido desistir!


Dom Jorge Ortiga
Mensagem para o novo ano de 2013,


Cremos que por Ele todas as coisas foram feitas

Apesar das inúmeras previsões apocalípticas para este ano, o nosso Deus preferiu continuar a dar-nos a oportunidade de desfrutar deste belo mundo, que Ele próprio preparou outrora para nós, pois, continuando a caminhar nos conteúdos do Credo, acreditamos que “por Ele todas as coisas foram feitas”.
Neste sentido, considero que qualquer mensagem de ano novo deve despertar uma razão válida para continuarmos a viver com alegria neste status social tão sombrio. A propósito, a prestigiada revista norte-americana Time elegeu como figura do ano o Presidente Barack Obama. Contudo, eu preferia eleger como figura do ano um conjunto de pessoas que, no meio de adversidades físicas e económicas, mesmo assim conseguiram ser um factor de enorme orgulho para o país: os atletas portugueses dos Jogos Paralímpicos de Londres, alguns deles da nossa Arquidiocese, e a quem saúdo pessoalmente!
Na mensagem do ano passado, tinha ressaltado aqueles seis pescadores das Caxinas, que sobreviveram durante três dias em alto mar. Do mesmo modo, estes atletas também “sobrevivem” a dificuldades quotidianas para que, através do desporto, revelem a igualdade de oportunidades, acentuem o combate à discriminação e cimentem a valorização das pessoas com deficiência.
Com o evento do Átrio dos Gentios, percebemos que afinal a vida, para crentes e não-crentes, tem valor em qualquer circunstância existencial, mesmo quando ameaçada pela crise. Na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI surpreende-nos ao afirmar que aí se encontra precisamente a solução da actual crise: “para sair da crise financeira e económica actual, que provoca um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos, instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico.”
A vida humana é um tráfico de encontros. E por isso, peço a Deus que nos dê a sabedoria da paz para esses encontros. Aquela paz interior que promove a vida, que dissipa a lógica da violência, que dissemina a corrupção, que transforma os olhares pessimistas, que rompe com as muralhas das ditaduras e que sufoca as tonalidades da indiferença. Aliás, à semelhança de Maria, a Rainha da Paz, os atletas paralímpicos são um testemunho actual que nos faz acreditar que realmente “nada é impossível”.
O mundo não se constrói apenas com grandes presidentes, grandes descobertas científicas ou grandes discursos musculados, mas também com pequenos e silenciosos gestos de paz que tornam possível a sociabilidade humana e garantem a sobrevivência do próprio planeta. E o gesto do Papa Bento XVI para com o seu desleal mordomo neste Natal comprova que a humildade abre mais portas que a autoridade.
Para terminar, o “ano internacional da cooperação para a água”, que celebra-se durante este ano de 2013, responsabiliza-nos para a ecologia. A fé, traduzida no amor ao próximo, também se manifesta no cuidar deste “chão” que pisamos, para que as gerações futuras desfrutem dele com qualidade, antes que sejamos nós os autores de um cenário apocalíptico (catástrofe) sobre o mundo.
Porque o Deus da Vida acredita e não desiste de nós, nós acreditamos que vale mesmo a pena viver: é esta a razão primordial! Por isso, um profundo obrigado aos atletas paralímpicos por, neste tempo de crise, nos terem ensinado que desistir é uma acção proibida!

27 de Dezembro de 2012