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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Porta Aberta - Encontro dia 27 de Fevereiro

O próximo encontro do PORTA ABERTA é já no dia 27 de Fevereiro, quarta feira, às 21h30, no Centro Pastoral.

 SANTO ADRIÃO, com a seguinte: 


TEMA/PERGUNTA



O mal, porque existe?
Porque permite Deus que haja dor e amargura?

Porque razão nos deixa Deus sofrer?
Como acreditar num Deus assim!?


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quando (não) comer é uma oração

Na Quarta-feira [de Cinzas], os católicos começam um tempo de exercícios espirituais a que chamam Quaresma. Começam-no de uma forma, no mínimo, curiosa: com um dia de jejum (que voltam a replicar na Sexta-Feira Santa). Ora, um dado muito objetivo é a urgência de as comunidades católicas reencontrarem o sentido desta prática. Hoje é patente a necessidade de ressignificar espiritualmente o jejum, e de fazê-lo numa linguagem compreensível, mas sem dispensá-lo. Só um cristianismo insípido pode liquidar o jejum como irrelevante ou achar que pode fazer equivaler a privação do alimento à privação de qualquer bem ou gasto supérfluo. O que está em causa no jejum é a possibilidade de nos interrogarmos sobre algo mais fundo: aquilo que nos serve de alimento e a voracidade sonâmbula com que vivemos. Pois, como lembrava José Augusto Mourão, «há em nós um desejo de ser ou de viver que nenhum alimento do mundo pode saciar. O que é desejado em nós não são tanto os objetos de que parecia termos necessidade mas aquilo que subjaz ao fundo de que vivemos, o dom da vida». É com isso precisamente que o jejum dialoga. Nos seus traços bíblicos e cristãos, o jejum não é uma simples desintoxicação da bulimia em que estamos mergulhados, mas um modo, ao mesmo tempo simbólico e real, de exprimir que o verdadeiro alimento da nossa vida é outro, está noutra parte. Desta forma, somos chamados a tomar o jejum como lugar de um reencontro espiritual autêntico — e isto através de uma aprendizagem da conversão. É na medida em que o crente aprofunda o amor indefetível de Deus que poderá aceitar o risco e a exigência de um compromisso assim vital. Na sua simbólica política (que evidentemente tem, não o esqueçamos), o jejum é também uma contestação declarada a uma cultura que identifica no consumo a sua promessa de felicidade e que promove essa procura no modo egocêntrico mais básico. O jejum é um posicionamento face aos tráficos de desejo que cada um traz alojados dentro de si. A vida cristã é uma economia de resistência e de combate. O jejum deve tornar-se um compromisso ativo em vista de uma transformação das estruturas opressivas de um mundo que, por exemplo, na sua organização atual patrocina o desfrutamento devorante das fontes do planeta. O jejum, porém, só encontra a sua legibilidade quando nos reaproxima dos outros, recolocando-nos a operar num horizonte comunitário e relançando as nossas competências relacionais. É na medida em que o crente solidamente ancora a sua prática na relação que poderá aceder verdadeiramente à significação do jejum: renúncia à atitude solipsista das várias tipologias de consumo em vista da sobriedade, da condivisão, da solidariedade e do dom. O jejum tem de inspirar uma nova qualidade e um novo estilo de relação, afastando-nos quer das práticas predatórias e suas quotidianas insinuações, quer da indiferença determinada pela busca obsidiante do proveito próprio. Lembra o monge português Carlos Maria Antunes, num oportuníssimo livro agora publicado («Só o Pobre Se Faz Pão», Paulinas Editora, 2013): «O jejum deixa-nos indefesos, confrontados com a nossa nudez, libertando-nos da tirania das máscaras e expondo a pobreza radical que habita cada ser humano. Revela que a nossa fome não é só de pão e que o nosso desejo mais profundo é sempre desejo do outro. Ampliando o nosso espaço interior, transforma-se numa forma singular de hospitalidade, que permite o acolhimento de si próprio e do outro, na sua mais genuína originalidade e verdade».

José Tolentino Mendonça, padre e poeta
«Revista» («Expresso»), 2 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Porta Aberta - Encontro dia 23 de Janeiro



O próximo encontro do PORTA ABERTA é já no dia 23 de Janeiro, quarta feira, às 21h30, no Centro Pastoral.

 SANTO ADRIÃO - com a seguinte tema ou questão: 

BÍBLIA, o que é?
O que conta? Como a devemos ler?
È tudo verdade o que lá está escrito?

Adão e Eva foram realmente as primeiras pessoas que Deus criou?
Se sim, como é possível esta geração ser formada de homens e mulheres, quando Adão e Eva forma pais de dois rapazes Abel e Caim? 
E se um matou o outro, como se constituiu a família?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ano da Fé - O desejo de Deus (Audiência Geral de Bento XVI)


PAPA BENTO XVI | AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro, Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

Queridos irmãos e irmãs,

O caminho de reflexão que estamos a fazer juntos neste Ano da Fé leva-nos hoje a meditar sobre um aspecto fascinante da experiência humana e cristã: o homem leva consigo um desejo misterioso de Deus. De uma forma significativa, o Catecismo da Igreja Católica inicia precisamente com a seguinte consideração: «Desejar a Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem a Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que não se cansa de procurar» (n. 27).

Esta afirmação, que também hoje em muitos contextos culturais parece ser totalmente partilhável, quase óbvia, poderia ao contrário parecer uma provocação no âmbito da cultura ocidental secularizada. Com efeito, muitos nossos contemporâneos poderiam objectar que não sentem minimamente tal desejo de Deus. Em amplos sectores da sociedade Ele já não é o esperado, o desejado, mas sim uma realidade que deixa indiferentes, face à qual nem sequer se deve fazer o esforço de se pronunciar. Na realidade, aquele que definimos «desejo de Deus» não desapareceu totalmente e apresenta-se ainda hoje, de muitas formas, ao coração do homem. O desejo humano tende sempre para determinados bens concretos, muitas vezes tudo menos que bens espirituais, e todavia encontra-se face à pergunta acerca do que é deveras «o» bem, e por conseguinte confronta-se com algo que é outra coisa e não é o eu, que o homem não pode construir, mas está chamado a reconhecer. O que pode deveras saciar o desejo do homem?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Porta Aberta - Encontro dia 19 de Dezembro

O próximo encontro do PORTA ABERTA é já no dia 19 de Dezembro, quarta feira.

BRUFE - às 21h15, na Cripta da igreja, sobre a expressão do Credo “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”.

CAVALÕES - às 21h15, na residência paroquial, com o seguinte tema ou questão: “A Verdade da Fé”.

SANTO ADRIÃO -  às 21h30, no Centro Pastoral, com a seguinte tema ou questão:
Por vezes somos confrontados com a afirmação que o Homem inventou Deus, para isto ou para aquilo, para interesses do Homem, para sua justificação ou consolação. Quando se diz que o homem inventou Deus que poderemos pensar? Que Deus não existe senão como pensamento do Homem? Ou, que o Homem tem afinal a capacidade de aceder ao mistério de Deus?

 


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Depois do encontro "Em que crê quem não crê? E quem crê?"



Tal como estava anunciado, aconteceu, no passado dia 5, no Auditório da Fundação Cupertino de Miranda, um serão de diálogo sobre a ciência, o desconhecido, a esperança, a dúvida, o não-saber, a fé em Jesus Cristo… Os intervenientes convidados, Professor Agostinho Marques, Drª Goreti Azevedo e Padre Carlos Carneiro, principiaram por partilhar as suas concepções de Deus, do homem, da vida, da realidade, a que se seguiu, com a coordenação de Drª Luisa Alvim, moderadora do serão, um diálogo aberto entre os três intervenientes. As questões levantadas foram de enorme riqueza e a tónica dominante foi a da importância de uma busca humilde, sempre inacabada… Os valores comumente ressaltados foram os da abertura aos outros, solidariedade, partilha, perdão e compaixão, tendo o Professor Agostinho Marques afirmado que, para si – agnóstico – a maior questão não é acreditar ou não em Deus, mas na vida intervir e ter uma acção concreta no mundo. E – afirmou - uma das maiores preocupações da Faculdade de Medicina do Porto, de que é actual director, é ensinar aos alunos “a compaixão, a humanidade”.
O Padre Carlos Carneiro afirmou que a sua decisão de ser católico se prende com o facto de ter encontrado em Jesus Cristo a mais alta qualidade da existência humana e que a sua fé é uma relação que o obriga a por em causa, continuamente, a própria fé. É um crente imperfeito, à procura… A fé em Deus - disse - não é, não pode ser, só uma relação de intimidade, mas uma prática, uma ação que se expressa no viver para os outros.
Para a Drª Goreti Azevedo, os princípios e valores que norteiam a cultura cristã são os seus próprios valores. Contudo, não acredita em Deus porque não consegue estabelecer relação com Ele. Não encontra qualquer incompatibilidade entre o avanço da Ciência e a crença em Deus. Faltam, parece-lhe, comunidades cristãs que testemunhem, de forma convincente, aquilo em que acreditam!
O diálogo, entretanto, aberto a toda a assembleia, foi infelizmente curto e teve que ser interrompido porque as horas foram passando e o dia seguinte era dia de trabalho para a maioria dos presentes.  

Maria Helena Aguiar





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Em que crêm quem não crê? E quem crê? - diálogos com quem pensa de forma diferente

Falar da vida e dos mistérios que a mesma nos faz experimentar não excluiu ninguém. Crente ou não tão crente todos podemos e devemos falar do que nos humaniza e nos faz mais pessoa para este mundo presente e futuro.
Para dialogar com aqueles que não crêem como nós e em Quem nós cremos; para melhor nos conhecermos e darmo-nos a conhecer; e para saber quais os fundamentos existenciais de cada um, organizamos um ponto de encontro e de convergência: a vida que se comunica na relação dialogal.  Esta "mesa redonda" mais do que um lugar é um espaço que queremos habitar, conscientes que o diálogo ajuda a descobrir as pontes que nos unem uns e outros.  Temos absoluta percepção que é possível o diálogo com quem pensa de forma diferente assim como é possível viver e conviver com a diferença.