sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

EDUCAR PARA QUÊ? - VIII Jornada da Família

A educação é uma arte e é ao mesmo tempo a própria vida em ação. Introduzir os filhos na arte de viver é um permanente desafio. Nunca está acabado. Dura a vida inteira... Assaltam-nos, no entanto, os medos e os receios: 
"Estarei a educar bem?" 
"Não sei mais que fazer para os educar melhor?"
"A minha educação não foi assim!"
"Não seguem o que lhes ensinei!".
 "Como podemos educar, nos dias de hoje, se ninguém nos ouve?". 
Estas inquietações, cheias de insegurança e incerteza e até de alguma frustração, tristeza e desânimo, ouvem-se constantemente quer em pais jovens quer em pais adultos ou idosos…
Na verdade, o medo, o receio, a ansiedade não permitem uma educação integral nem proactiva. Antes tolhem o educando e pode provocar nele a apatia pela vida ou então a permanente revolta. De facto, o ato educativo não é apenas familiar. Há muitos agentes ou intervenientes na formação das gerações. O meio ambiente, a escola ou a universidade, as circunstâncias sociais e culturais têm sempre os seus níveis de influência sobre os educandos. Contudo, e apesar disso, não se poderá nunca prescindir do valor intrínseco da família no ato educativo. A família é a primeira e imprescindível escola e universidade da vida. A família para além de ser o berço da linguagem e dos primeiros passos na sociabilização do ser humano, é sobretudo a fonte de sentido para a vida. O dinamismo familiar em todas as suas dimensões aponta sempre para algo maior do que apenas conhecimentos livrescos, científicos, técnicos…
Acolhendo as palavras do Papa Bento XVI, diríamos que há na família uma inerente pedagogia do desejo pelas alegrias autênticas da vida: "Educar desde a tenra idade para saborear as alegrias verdadeiras, em todos os âmbitos da existência — a família, a amizade, a solidariedade com quem sofre, a renúncia ao próprio eu para servir o próximo, o amor ao conhecimento, à arte, às belezas da natureza — tudo isto significa exercitar o gosto interior e produzir anticorpos eficazes contra a banalização e o nivelamento hoje difundidos. Também os adultos precisam de redescobrir estas alegrias, de desejar realidades autênticas, purificando-se da mediocridade na qual podem encontrar-se envolvidos.".
Podemos, então, dizer que educar é um ato de "aprender e voltar a aprender o gosto pelas alegrias autênticas da vida".
Na família aprende-se a viver. Educar é um ato de vida.
O mote Educar para quê? pode encontrar esta resposta: educar para a vida. 

Pelas Equipas de Pastoral Familiar das Unidade Pastoral de Santo Adrião e Brufe, Vila Nova de Famalicão
PROGRAMA

Data – 02 de Fevereiro
Hora – 14h30 às 18h45
Local – Centro Pastoral de Santo Adrião – Vila Nova de Famalicão
Conferencista – P.e Alberto Brito, Provincial dos Jesuítas em Portugal e Moçambique

14h30 – Acolhimento
15h00 – Abertura da Jornada
15h15 – Início: apresentação do tema e do conferencista
15h20 – Intervenção de P.e Alberto Brito, SJ: Educar para quê? (Parte I)
16h30 – Intervalo
17h00 – Intervenção de P.e Alberto Brito, SJ: Educar para quê? (Parte II)
18h00 – Espaço para as perguntas da audiência
18h30 – Encerramento
18h45 – Fim dos trabalhos
19h15 – Eucaristia (Nova Matriz)


TOME NOTA

Inscrição gratuita
Entregar no cartório, na sacristia, aos membros da Pastoral Familiar ou por mail:
comunidadestoadriao@gmail.com
saomartinhodebrufe@gmail.com
saomartinhodecavaloes@gmail.com


INSCRIÇÃO


Nome (casal ou individual)
_________________________________________________________
E _______________________________________________________

Filhos (só os que precisam de apoio na Creche Mãe)
_________________________________________ Idade ________Anos
E _______________________________________ Idade ________Anos
E _______________________________________ Idade ________Anos

Morada
______________________________________________________
Telefone/Telemóvel
______________________________________________________
Mail
______________________________________________________

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A ALAVANCA ECLESIAL - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo



Homilia na eucaristia de Acção de Graças pelas bodas de prata episcopais.

Exmo. e Rev. meu antecessor, Senhor D. Eurico Dias Nogueira,
Estimados irmãos no Episcopado,
Senhor Deão do Cabido e restantes Capitulares,
Caros Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, Diáconos e Seminaristas,
Respeitosas autoridades civis, académicas e militares,
Irmãos e Irmãs na fé em Cristo Jesus.

1. Uma herança
Há 25 anos, durante a procissão de entrada para a minha ordenação Episcopal na Cripta do Sameiro, o coro entoava: “Nós somos as pedras vivas do Templo do Senhor!” Passado este tempo, a pergunta emerge: será que os 50 anos do promissor Concilio Vaticano II já produziram o efeito pastoral desejado nestas pedras vivas, que são a Igreja?
O Papa Paulo VI, na homilia de encerramento, reconhecia que este era um projecto “ideal, mas não irreal”[1], daquele Concílio que foi considerado como sendo o maior na participação, o mais rico nas temáticas abordadas e o mais oportuno nas realidades sociais abordadas . E no seu jubileu, o Papa Bento XVI promulga um Ano da Fé para redescobrirmos este tesouro teológico, espiritual e eclesial.[2]
De facto, foi esta nova proposta conciliar que a maioria de nós herdou e fomos incumbidos de concretizar! Aliás, o mesmo desejo de novidade encontrámo-lo nas palavras do profeta Isaías na primeira leitura: “Ergue-te, Jerusalém, e desponta a tua luz sobre a escuridão que envolve a Terra!”
E como referi na Mensagem de Ano Novo, continuo a repetir: é proibido desistir![3] Daí que, neste dia em celebro as minhas bodas de prata episcopais, renove três pontos vitais na pastoral: a caridade, a nova-evangelização e a unidade.

2. Um método
S. Paulo na segunda leitura apresenta-nos o método: a alavanca da caridade. Dizem os dicionários que a alavanca é um objecto que oferece a capacidade de mover grandes cargas com pequenas forças. Com o evento do Átrio dos Gentios, no diálogo com os não-crentes (gentios), confirmamos que a nossa fé até pode transportar montanhas, mas se não estiver alicerçada na caridade, ela desemboca: ou num ateísmo secular ou num fundamentalismo religioso.[4]
Por isso, a alavanca da caridade assume-se como o método mais seguro e viável para fazer erguer a Igreja, qual nova Jerusalém, graças às inúmeras, pequenas e diversificadas forças pentecostais que geram a comunhão na pluralidade: entre sacerdotes e leigos e entre movimentos e estruturas eclesiais ou civis, como sustém n.º 32 da Lumen Gentium.

3. Um desafio
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, diz-nos um célebre poeta lusitano. E os novos tempos exigem-nos uma nova vontade, um novo ardor, uma pastoral repensada e uma nova-evangelização. E porquê? Porque “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, (…) são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.”[5]
À margem das discussões conceptuais, o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da “Nova Evangelização”, Card. Rino Fisichella, define-a como “um meio através do qual o Evangelho de sempre é agora anunciado com novo entusiasmo, novas linguagens compreensíveis numa condição cultural diferente e novas metodologias capazes de transmitir o seu sentido profundo que permanece inalterado.”[6]
A liturgia, a caridade, o ecumenismo, a imigração, a catequese de adultos, a cultura e a comunicação social apresentam-se agora como lugares primordiais para esta nova-evangelização. Por coincidência, a partir de hoje inaugura-se o serviço de transmissão diária da eucaristia via internet no site da arquidiocese, para que as pessoas de mobilidade reduzida não estejam inibidas de participar virtualmente nas celebrações da sua orgulhosa Sé Catedral.
Na verdade, e no dizer do Beato João Paulo II, queremos uma Igreja que esteja no mundo, que desfrute das coisas boas do mundo, mas que não seja mundana!

4. Uma condição
 No meio destes desafios, creio que há uma condição imprescindível: “uma sinfonia (sintonia) pastoral, que execute na realidade a bela harmonia das três notas do Deus Uni-Trino”[7], ou seja, a unidade.
A longa oração de Jesus no evangelho de hoje, como síntese da sua missão sacerdotal, assim o confirma: “para que todos sejam um”. A unidade não significa uniformidade ou unicidade, pelo contrário, é a arte do diálogo na diferença. E se Jesus era um só com Deus-Pai, a unidade acaba por ser “o modelo da acção na e pela Igreja”[8].
Como sabem, foi com este intuito que, há 25 anos atrás, escolhi como lema episcopal esta passagem evangélica e me deixei interpelar pela simbologia da romã.
Uma unidade que se traduz numa “unidade geracional com a tradição secular que nos precede, numa unidade espiritual com Cristo, sacerdote eterno, numa unidade pastoral com a Igreja Universal, numa unidade cultural com o mundo que nos circunda, numa unidade fraternal com os leigos, numa unidade integral connosco próprios e, acima de tudo, numa unidade sacerdotal com os membros do presbitério.”[9]
E com razão escreve um dos meus ex-bispos auxiliares: “onde a caridade irradia, aí aflora a beleza que salva, aí se louva o Pai celeste, aí cresce a unidade dos homens.”[10]
A propósito, o gesto do Papa Bento XVI para com o seu desleal mordomo neste Natal comprova que a humildade, o perdão e a caridade abrem mais portas que a própria autoridade. Por conseguinte, só com a alavanca desta caridade poderemos erguer as pedras vivas do templo da unidade e mostrar a diferença da Igreja Católica em relação a outras instituições, tal como o comprova: a “Carta de Louvor” atribuída pelo Conselho de Ministros à Obra Católica Portuguesa das Migrações, e o “Prémio Direitos Humanos” atribuído pela Assembleia da República à Cáritas Portuguesa.
Sem esta alavanca, o Concílio Vaticano II continuará a ser uma bela teoria que prescreveu na história da Igreja.

5. Um agradecimento
Para terminar, no concerto de encerramento do evento Guimarães, Capital Europeia da Cultura, fiquei surpreso ao reparar nas lágrimas inesperadas dos músicos da orquestra perante o aplauso da plateia. A orquestra extinguiu-se ali e as lágrimas daqueles jovens músicos continham certamente um misto de orgulho pelo sucesso alcançado e de incerteza laboral quanto ao futuro.
É verdade que somos vítimas de uma factura económico-social que nos tirou qualidade e dignidade à nossa existência. Mas, como Igreja, resta-nos continuar a apresentar ao mundo político a solução que o Papa Bento XVI apresentou para esta crise, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz: “promover a vida, favorecendo a criatividade humana para fazer da própria crise uma ocasião de discernimento e de um novo modelo económico”[11], pois só assim as lágrimas da incerteza, da angústia e do desânimo cessarão.
Daí que neste dia também não poderia esquecer-me e pedir que não passem despercebidas as lágrimas de dor de tantos nossos irmãos. Por outro lado, diz-nos S. Gregório Magno que, embora haja inúmeras formas de chorar, “as lágrimas são uma fala estimada” e um mapa pleno de significação.
Por isso, neste dia festivo para a Arquidiocese, as lágrimas que agora derramo no meu interior comunicam a minha profunda gratidão: ao meu professor no episcopado, Sr. D. Eurico Dias Nogueira, e a todos os amigos no episcopado com quem temos procurado promover a vida humana neste Portugal que amamos; aos actuais e ex-Bispos Auxiliares, com os quais repensamos a pastoral arquidiocesana; ao meu presbitério, com quem peleio pela edificação do Reino de Deus; aos jovens seminaristas, em quem coloco o futuro desta Igreja Arquidiocesana; aos religiosos e consagrados, que enriquecem a nossa Igreja com os seus carismas; aos leigos, que no anonimato executam a passagem bíblica do “sal da terra e luz mundo”; aos meus condiscípulos de curso, com quem partilhei o esplendor da juventude; às autoridades civis, com as quais tenho procurado edificar uma sociedade local mais justa e solidária; aos não-crentes, cujas perguntas e críticas fazem repensar e crescer a nossa Igreja; à minha família, a quem devo tudo aquilo que sou; e, por último, agradeço ao culpado disto tudo: Jesus, o arquitecto da unidade!

Por tudo isto,
creio no Deus Criador, em Jesus Salvador e no Espírito Santificador,
bem como na Igreja Católica,
e em todos os homens e mulheres de boa-vontade.

+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013, Sé Catedral de Braga.





[1] cf. Paulo VI, Carta Apostólica In Spiritu Sancto.
[2] cf. Bento XVI, Porta Fidei, 5
[3] Cf. D. Jorge Ortiga. Poribido desistir. Mensagem de Ano Novo-2013.
[4] cf. Bento XVI, Deus Caritas est, 16.
[5] Gaudim et Spes, 1.
[6] Rino Fisichella, A Nova Evangelização, 31.
[7] D. Jorge Ortiga, O acorde de Deus. Homilia na peregrinação arquidiocesana à Senhora do Sameiro 2012.
[8] D. Jorge Ortiga, Saudação ao Povo de Deus na ordenação como Bispo Auxiliar de Braga, in Acção Católica, Janeiro-1988, 69-70.
[9] D. Jorge Ortiga, As 7 maravilhas do sacerdócio. Homilia na Missa Crismal de Quinta-Feira Santa 2012.
[10] António Marto, O cristianismo fonte de uma cultura de beleza, in AA.VV., O evangelho da beleza, 27.
[11] Cf. Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz – 2013, 4.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

CREIO EM TI! - Arquidiocese de Braga / A Voz do Arcebispo

Em ano de Fé, celebrando as Bodas de Prata Episcopais, recordo o dom da fé como dom maravilhoso a acolher para partilhar: assumo que gostaria de o expressar visivelmente através dum amor incondicional a Deus e ao próximo e espero ser instrumento da Paternidade Universal de Deus que nos responsabiliza pela fraternidade com todos.
               
Crer em Deus é crer em todos.
Crer é amar Deus e os outros.
Crer é esperar uma Arquidiocese unida
para que todo o mundo acredite.

1 – Creio em ti, caro presbítero, que és rosto transparente do amor de Deus pelo Seu povo. Comove-me ver-te partir o pão da amizade e a desatar os nós do sofrimento. Espero ter-te sempre próximo, para anunciarmos Cristo a todos que O procuram de coração sincero.

2 – Creio em ti, caro/a religioso/a, que és sinal profético do Reino de Deus. Admiro-te pela delicadeza dos teus gestos, que são uma verdadeira oração quotidiana. Espero que continues a suscitar o espanto da fé em cada irmão que se cruza no teu caminho e na comunidade onde vives.

3 - Creio em ti, caro/a jovem, que és a esperança do amanhã. Orgulha-me a tua procura inquieta, que antecipa o nascimento de um mundo melhor.
Espero que me emprestes a tua voz sempre que a minha falhar. Gostaria ainda, um dia, de celebrar um encontro contigo para te apresentar Aquele que me inspirou neste nosso projeto comum.

4 – Creio em ti, caro/a irmão/ã, que vives uma situação de fragilidade. Inclino-me perante o teu espírito de heroica e silenciosa coragem. Dificilmente estamos preparados para momentos inesperados, mas a cruz, que também Cristo carregou, não tem a última palavra sobre a vida. Espero que sintas esta minha frágil e silenciosa presença por meio da oração, na certeza duma comunhão permanente com as tuas debilidades.

5 – Creio em ti, caro/a irmão/ã que habitas involuntariamente o silêncio da fé. Também para mim é um mistério este paradoxo. Sei todavia que o silêncio não é sinónimo de ausência. A fé é dom e fidelidade. Espero, peço-te, a fidelidade à procura sincera e, porventura, a decisão consciente de mergulhar no mistério de Deus, mesmo quanto tudo aquilo que ouves é silencio.

6 – Creio em ti, família expressão do visível amor de Cristo na procura conjunta da felicidade e aberta ao dom da vida. Sei que te alimentas e encorajas da Palavra de Deus. Espero ver-te verdadeira “Igreja doméstica” e comprometida na Igreja de Jesus para construirmos um mundo mais humano e unido.

7 – Olá meu/minha pequenito/a. Creio em ti pois, juntos, temos um amigo. Jesus ofereceu a todos os meninos/as do seu tempo muita dedicação, não deixando de apontar o caminho da verdadeira alegria e felicidade. Espero que O queiras conhecer para o seguir. Vamos fazer a grande família de Jesus sendo amigo d’Ele e de todos.
Sabes, um poeta muito famoso disse uma vez que “o sonho comanda a vida”. Nos sonhos, tudo aquilo que o teu coração deseja torna-se realidade. Mas também podes sonhar com os olhos abertos. Basta que tenhas um coração cheio de amor e a magia acontece. Ajuda os teus pais a sonhar. Jesus já sonha contigo. O coração Dele é enorme e ama-te.

8 – Creio em ti, caro/a cristão/ã, que, como eu, és discípulo/a peregrino/a de Cristo. Amo--te profundamente e agradeço a tua presença fiel, que tanto alegra a nossa grande família cristã. Espero que partilhes esta boa nova a todos que te são próximos e em todos os ambientes onde estás presente.

+ Jorge Ortiga, A.P.
3 de Janeiro de 2013.

Ano da Fé - Virgem Maria. Ícone da fé obediente (Audiência Geral de Bento XVI)

PAPA BENTO XVI | AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro, Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

Queridos irmãos e irmãs,


No caminho do Advento, a Virgem Maria ocupa um lugar especial, como Aquela que de maneira singular esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de meditar brevemente convosco a propósito da fé de Maria, a partir do grande mistério da Anunciação.
«Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou», «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo!» (Lc 1, 28). São estas as palavras — citadas pelo evangelista Lucas — com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo chaîre, “ave”, parece uma saudação normal, usual no âmbito grego, mas estas palavras, se forem lidas no contexto da tradição bíblica, adquirem um significado muito mais profundo. Este mesmo termo aparece quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cf. Sf 3, 14; Gl 2, 21; Zc 9, 9; Lm 4, 21). Portanto, a saudação do anjo a Maria constitui um convite à alegria, a um júbilo profundo, anuncia o fim da tristeza que existe no mundo, diante do limite da vida, do sofrimento, da morte, da maldade e da obscuridade do mal que parece ofuscar a luz da bondade divina. Trata-se de uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.
Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo?