Nós, enquanto casal do conjunto de 8 casais da
Pastoral Familiar de V.N. Famalicão (Stº Adrião) e Brufe, um dos casais da
organização da VIII Jornada da Família, fazemos a nossa reflexão de lançamento
e desafio à jornada.
Vivemos dominados pelo discurso da crise, e temos
que nos adaptar à realidade, lutando obviamente contra a adversidade.
A crise é essencialmente económica, mas há 2
realidades que estão antes dela (uma) e depois dela (outra):
1
– Antes da crise económica está a crise do ser humano levado para o
comportamento individualista, materialista/consumista, ser funcional no mundo
do trabalho, conduzindo à degradação da dignidade humana, das relações
inter-pessoais e, em particular, da instituição familiar.
2 – Depois, com a crise instalada, está a realidade das consequências nefastas da mesma sobre a vida de cada um, sobre as relações inter-pessoais, a sustentabilidade das relações, o equilíbrio emocional, material e cultural das famílias.
Estamos, portanto, num ciclo vicioso: a crise do
“homem” que o leva a investir no TER
em prejuízo do SER, e depois o
acentuar da crise quando perde o SER
e o TER.
Em suma: a crise essencialmente económica que nos
envolve, não resulta somente de más gestões económicas e financeiras, mas de um
conjunto de factores humanos e sociais, estabelecidos sobretudo na 2ª metade do
século XX.
Enquanto somos abafados pelo alarido de como
contornar a crise,… como sair do jugo do FMI ou da Troika, esquecemo-nos de ir
contrariando algumas das consequências da crise.
Então, com esperança e confiança nas capacidades
humanas de superação das adversidades, temos que ir minimizando os estragos ou
corrigir os erros que as crises vão infligindo às pessoas e às famílias.
Temos que investir no SER.
Investir no SER é uma questão cultural,
educacional. Falar de educar é falar do(s) lugar(es) onde educar.
Ora a 1ª escola da vida é a FAMÍLIA.
Não é despiciendo, pelo contrário, é muito
importante, em tempo de “faltas materiais”, falar daquilo que sustenta a
humanidade em qualquer circunstância:
a unidade, a agregação das pessoas, a
solidariedade, o bom relacionamento, a família, a educação, a espiritualidade.
E entramos, assim, na temática do “Educar para quê?”.
O bem-estar material é, naturalmente, importante na
vida. Mas não sei se todos damos conta de que a EDUCAÇÃO é o desafio fundamental, básico, duma sociedade.
Que contemple:
-
Relação afetiva na família
-
Relação solidária / O exercício do bem / O conceito ÉTICO
-
Conhecimento / Cultura
-
Beleza / O BELO / Conceito ESTÉTICO / Arte
-
Relação com a natureza / Sentido ECOLÓGICO
….
Repito: há que investir no SER.
E tornarmo-nos SERES-COM
e SERES-PARA, o(s) outro(s),
ponto de partida para todo o debate social, político, económico.
Somos confrontados, à nossa volta, sempre com
alguns comentários sobre o interesse, a oportunidade, o acolhimento deste tipo
de iniciativas.
O que dizemos é que é importante sairmos de casa,
encontrarmo-nos, na nossa comunidade, na cidade, onde quer que seja e fazer
encontro de convívio, debate, troca de experiências, falar e ouvir falar de
problemas que nos cercam, e de eventuais propostas.
O nosso espaço é de matriz cristã, mas afirmamo-lo
com ênfase, é um espaço aberto à pluralidade de crenças, à pluralidade de
ideias sobre a família e a educação. Só assim é verdadeiramente cristão. Cristo
é o Homem da diferença, no Seu tempo e no de hoje.
Diferença para o VERDADEIRAMENTE HUMANO, mas lidando com opositores.
Um comentário: Da maneira como “isto vai” não há
ânimo para nada. Não pode ser.
A perda de ânimo é a perda da alma. A perda da alma
é a perda do corpo. Nesta unidade CORPO–ALMA, se a componente corpórea sofre
mais com a falência destes tempos, que o ânimo (alma) não deixe baixar os
braços do corpo.
Por isso, vamos em frente e… venham à jornada.
Manuel Leite e Ilídia Leite

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarAgradecido pela iniciativa e pela reflexão! Parabéns
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