terça-feira, 29 de janeiro de 2013

VIII Jornada da Família - Reflexão do casal Manuel e Ilídia Leite


Nós, enquanto casal do conjunto de 8 casais da Pastoral Familiar de V.N. Famalicão (Stº Adrião) e Brufe, um dos casais da organização da VIII Jornada da Família, fazemos a nossa reflexão de lançamento e desafio à jornada. 
Vivemos dominados pelo discurso da crise, e temos que nos adaptar à realidade, lutando obviamente contra a adversidade.
A crise é essencialmente económica, mas há 2 realidades que estão antes dela (uma) e depois dela (outra):
 
1 – Antes da crise económica está a crise do ser humano levado para o comportamento individualista, materialista/consumista, ser funcional no mundo do trabalho, conduzindo à degradação da dignidade humana, das relações inter-pessoais e, em particular, da instituição familiar.


2 – Depois, com a crise instalada, está a realidade das consequências nefastas da mesma sobre a vida de cada um, sobre as relações inter-pessoais, a sustentabilidade das relações, o equilíbrio emocional, material e cultural das famílias.

Estamos, portanto, num ciclo vicioso: a crise do “homem” que o leva a investir no TER em prejuízo do SER, e depois o acentuar da crise quando perde o SER e o TER.

Em suma: a crise essencialmente económica que nos envolve, não resulta somente de más gestões económicas e financeiras, mas de um conjunto de factores humanos e sociais, estabelecidos sobretudo na 2ª metade do século XX.

Enquanto somos abafados pelo alarido de como contornar a crise,… como sair do jugo do FMI ou da Troika, esquecemo-nos de ir contrariando algumas das consequências da crise.
Então, com esperança e confiança nas capacidades humanas de superação das adversidades, temos que ir minimizando os estragos ou corrigir os erros que as crises vão infligindo às pessoas e às famílias.

Temos que investir no SER.

Investir no SER é uma questão cultural, educacional. Falar de educar é falar do(s) lugar(es) onde educar.

Ora a 1ª escola da vida é a FAMÍLIA.

Não é despiciendo, pelo contrário, é muito importante, em tempo de “faltas materiais”, falar daquilo que sustenta a humanidade em qualquer circunstância:
a unidade, a agregação das pessoas, a solidariedade, o bom relacionamento, a família, a educação, a espiritualidade.

E entramos, assim, na temática do “Educar para quê?”.
 
O bem-estar material é, naturalmente, importante na vida. Mas não sei se todos damos conta de que a EDUCAÇÃO é o desafio fundamental, básico, duma sociedade. Que contemple:

                - Relação afetiva na família
                - Relação solidária / O exercício do bem / O conceito ÉTICO
                - Conhecimento / Cultura
                - Beleza / O BELO / Conceito ESTÉTICO / Arte
                - Relação com a natureza / Sentido ECOLÓGICO
                ….

Repito: há que investir no SER.

E tornarmo-nos SERES-COM e SERES-PARA, o(s) outro(s), ponto de partida para todo o debate social, político, económico.

Somos confrontados, à nossa volta, sempre com alguns comentários sobre o interesse, a oportunidade, o acolhimento deste tipo de iniciativas.

O que dizemos é que é importante sairmos de casa, encontrarmo-nos, na nossa comunidade, na cidade, onde quer que seja e fazer encontro de convívio, debate, troca de experiências, falar e ouvir falar de problemas que nos cercam, e de eventuais propostas.

O nosso espaço é de matriz cristã, mas afirmamo-lo com ênfase, é um espaço aberto à pluralidade de crenças, à pluralidade de ideias sobre a família e a educação. Só assim é verdadeiramente cristão. Cristo é o Homem da diferença, no Seu tempo e no de hoje.
Diferença para o VERDADEIRAMENTE HUMANO, mas lidando com opositores.

Um comentário: Da maneira como “isto vai” não há ânimo para nada. Não pode ser.
A perda de ânimo é a perda da alma. A perda da alma é a perda do corpo. Nesta unidade CORPO–ALMA, se a componente corpórea sofre mais com a falência destes tempos, que o ânimo (alma) não deixe baixar os braços do corpo.
Por isso, vamos em frente e… venham à jornada.

Manuel Leite e Ilídia Leite

2 comentários: